terça-feira, 3 de setembro de 2013

O GATO CINZA


Foto de Ricardo Stricher

                                                                                              
Antônio Carlos Côrtes

Ao visitar a loja Qorpo Santo que homenageia o saudoso José Joaquim de Campos Leãodramaturgo, poeta, jornalista, tipógrafo e gramático  no Viaduto da Av. Borges de Medeiros, em minha incessante busca do disco perfeito, fui recebido por gato cinza muito felpudo. Olhos da mesma cor para combinar a harmonia que passa aos clientes. Para demonstrar carinho roçou em minha perna por algumas vezes. Depois foi até a porta e voltou, me olhando firmemente e baixando a cabeça. Resolvi interpretar o que estava querendo me dizer. Indo à porta olhei a arquitetura daquela obra de arte que é o Viaduto Octávio Rocha. Lembrei do arquiteto Paulo Bica afirmando que é das obras mais belas do mundo.  Hoje enfrenta problemas de infiltrações e outros que o tornam meio cinzento como o gato.  Mas penso que o felino desejou chamar minha atenção também para outro ponto desta vez triste. Sob as asas daquela magnífica obra, pernoita bom número de moradores da rua. Neste inverno rigoroso com temperaturas que beiram menos de 5° imagino o que sofrem. Verdade que a cachaça para alguns é o cobertor que falta. Outros literalmente se agasalham com papelões, jornais e cobertores que a população lhes alcança, assim como sopas, café e outros alimentos. Sim, o povo sulriograndense é solidário e caridoso de forma anônima e muitas vezes na calada da noite, silêncio da madrugada fria sai com o pulsar mais acelerado do coração por terem ajudado seu próximo aquecendo almas. Lembro que em época eleitoral assisti pela televisão a repórter ouvir morador da rua perguntando o que esperava dos futuros governantes? Este após breve silencio, respondeu com voz firme: - Que construam mais pontes !!!. A repórter assinou o boletim, com voz trêmula, embargada e olhos avermelhados Afinal não existem tantos tetos para abrigar tanta gente.  Penso que foi tudo isto que o gato cinza quis me dizer do seu jeito. Mas lembrei também que nos altos do Viaduto existe o Teatro de ARENA, mas embaixo gente faminta que leões da fome e do frio devoram e possivelmente serão enterrados como indigentes.  Não merecendo sequer o enterro do pobre.


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